Tuesday, September 25, 2012

Errar é humano

Há uns anos, na véspera das eleições Americanas de 2004, um colunista da Spectator (não me lembro do nome, mas tenho pena) disse que se demitia se o Bush perdesse as eleições. Na altura a vitória do Kerry parecia plausível (lembro-me de uma jornalista do NYT, que não se demitiu, na noite das eleições, em directo na BBC World, dizer que um turnout tão elevado só podia significar uma vitória do Kerry). Mas o homem disse que queria ser responsabilizado por uma previsão, se errasse. Isto para dizer que gostava muito que, os colunistas e os economistas pró-austeridade, pró-troika, pró-Alemanha, tivessem, pelo menos, a humildade de reconhecer o erro. O programa falhou, como muita gente previu. Mas eles continuam, agora um bocado patéticos, a dizer que não há alternativa.

Sunday, September 02, 2012

Serviço Público

Mário Laginha, hoje no Expresso, de uma forma involuntária, utilizou o melhor argumento em defesa do Serviço Público de Televisão. Contou ele que, após ver um concerto do Keith Jarret na televisão, teve uma epifania.
A RTP 1 é horrível e a 2 é muito fraca. Os dois canais podiam encerrar amanhã, sem provocar o menor tumulto social. No cabo há canais como o ARTE e o Mezzo que são exemplos de serviço público. Mas a RTP, não. A RTP é uma das maiores difusoras do nacional foleirismo. Dito isto, a história da concessão, não faz sentido. Porque é que os contribuintes portugueses iam dar a uns amigos do PSD 140M, para gerir um canal de televisão?
O que a RTP precisa é de uma tesourada sem precedentes. O fim da informação, o fim do canal 1,  e um canal 2 que se dedique ao Keith Jarret. Pode haver um miúdo, que num zapping preguiçoso, em Pedrogão Grande, passe um dia os olhos por um filme do Buñuel, às 9h da noite, e mude de vida.

Regresso?

O browser, do computador onde escrevo, nem sequer tinha o endereço deste blog no histórico. Com o Twitter, que apaguei num momento de lucidez, e com o facebook, onde, de vez em quando, escrevo umas reflexões minúsculas, fui perdendo o hábito de aqui escrever. Não se pode dizer que atravessamos tempos de bonheur, que passam sem deixar registo. Bem pelo contrário. Talvez seja isso mesmo: mais uma consequência da "fadiga do ajustamento". Pode ser que volte. Tenho saudades. Como já aqui escrevi, ter um blog, neste caso pelo menos, é como escrever para a gaveta. Sinto falta disso; escrever reflexões avulsas, muitas sem sentido, que ninguém vai ler.

Sunday, June 07, 2009

Eleições

Podemos estar horas a discutir a origem da crise internacional. Mas não podemos discutir que havia demasiados gestores de topo com prémios obscenos, Bancos a fingir, dinheiro que não existia. Depois de muito diagnóstico, foram aparecendo as soluções. Redução de salários, mais trabalho e outras pérolas semelhantes. Há quem se orgulhe, sempre rapaziada com ordenados superiores a 5 mil euros, de ter aceite uma redução de salário de 10%. Ficaram à espera que não houvesse reacção. Afinal em França raptam patrões, em Inglaterra atiram pedras à casa do ex-administrador do RBS, e aqui nada. Até que, finalmente, umas eleições. Jornalistas ociosos, que confiam demasiado nas sondagens, não perceberam que as pessoas estão muito saturadas de tudo o que está a acontecer. Do fartar-vilanagem, de políticos quase corruptos, de serem sempre os mesmos a pagarem as crises sucessivas (desculpem, mas isto já não é populismo). O que aconteceu? Os partidos de extrema esquerda em Portugal, somam 20%. 20%! (merece ponto de exclamação). Claro que há comentadores muito inteligentes, como António Lobo Xavier ou Pacheco Pereira, que tratam de nos explicar que as pessoas que votaram no BE, não sabem, não conhecem a génese do partido. Pois aqui fica mais uma dica (aproveitem, que é grátis): as pessoas conhecem muito bem o que está por trás da conversa do Louçã. Votam nele, não porque queiram um regime comunista, longe disso, mas porque estão fartas de pornografia à hora do jantar.

Thursday, April 09, 2009

A Crise acabou?

O mercado imobiliário estabilizou; os chefes de compras das empresas estão menos pessimistas sobre novas encomendas, desde Agosto; as vendas de carros aumentaram 8% em Março relativamente a Fevereiro; novos pedidos de subsídio de desemprego estagnaram; o produto interno bruto que encolheu 6.3%, em ternos anuais, no último trimestre, encolheu provavelmente à mesma taxa, no primeiro deste ano, mas a composição da queda foi mais encorajadora; foi alimentada, não pelo colapso no consumo, mas nos acertos de inventário, para lidar com vendas mais baixas. O crescimento no segundo trimestre "tem uma boa hipótese de ser positivo", de acordo com Ian Morris e Ryan Wang, economistas do HSBC, apesar de os riscos "ainda serem enormes". Estes dados são referentes aos Estados Unidos, e foram copiados de um artigo na Economist. Há uma centelha de esperança, mas, na verdade, estamos muito longe da recuperação económica. O governo americano, perante estes primeiros sinais positivos, não pode abrandar os diversos estímulos, sob pena dos Estados Unidos entrarem, como todos sabemos, num período de estagnação, como o Japão enfrentou nos anos 90, com a consequente deterioração da economia mundial, que um abrandamento americano sempre produz. As más notícias, que foram surgindo, depois da publicação deste artigo, acentuam que não há muitas razões para estar optimista.
Mas há um elemento negligenciado pelos analistas, se calhar justificadamente, que é o efeito de saturação das notícias. As pessoas passam por cima dos números do desemprego, as quedas sucessivas do mercado bolsista, que a maior parte ignora e as derrocadas do PIB. As que mantiveram os seus empregos começam a fazer a sua vida normal. Os dados da crise funcionam, estatisticamente, como o número de mortos no Iraque. Já ninguém liga. Ainda por cima, na Europa, não temos coisas como o 401(k), e as nossas preocupações quanto ao futuro não estão associadas aos delírios de investidores internacionais (apesar da nossa segurança social também investir no mercado). É assim muito provável que o business as usual vá regressando, devagar. A somar a este dado muito subjectivo, porque é impossível determinar tendências sem as estatísticas adequadas, temos ainda a descida das taxas de juro e uma inflação próxima do zero. E mais uma coisa. Apesar de todos desejarmos o regresso das coisas simples e uma diminuição do consumo desnecessário, é muito difícil alterar o paradigma dos últimos tempos. Já li muitos artigos em que se fala que o consumo vai diminuir, porque vamos regressar a uma época de parcimónia, em que só compramos aquilo que podemos ter, e outras coisas muito bonitas. Mas todos conhecemos a natureza humana. Na dúvida, escolhemos sempre a luzinha mais brilhante. Boa Páscoa, para todos.

Tuesday, March 03, 2009

Presidente

Cavaco Silva vetou a lei da concentração dos meios de comunicação social. Às vezes quase gosto do nosso presidente.

Thursday, February 26, 2009

O Português na Casa Branca

Twitter

Sei que o assunto já passou, mas aquela pequena história da conta do Twitter do deputado do PSD (não me lembro do nome do rapaz) que foi corrompida, durante o Prós e Contras (apresentado pela pior jornalista da tv portuguesa) é, obviamente, treta. Já agora, para que o rapaz não fique muito mal visto, sempre posso dizer que a expressão "falta-lhe homem" é muito utilizada em conversas estritamente masculinas, ainda que a expressão adquira nuances mais sofisticadas quando os interlocutores são -Hélas!- mais sofisticados.

Facebook

Descobri este feriado que tenho muitos amigos no facebook. Curiosamente tinha lido, no dia anterior, um texto do Lev Grossman na Time sobre esse fenómeno. O facebook, que começou por ser uma coisa para miúdos, é agora ocupado por rapaziada que está a chegar à meia-idade, ou que já lá está. Vi vários profiles, e fiquei sem perceber muito bem o que é que eles andam lá a fazer, mas como estou bem dentro do demographics, acho que vou abrir lá um estabelecimento.

Monday, February 16, 2009

Domingo na Lezíria

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Saturday, February 14, 2009

Conselho de Estado

Dias Loureiro já tinha sido apanhado a mentir. Mas, na altura, era a palavra dele contra a do funcionário do Banco de Portugal. Claro que qualquer pessoa razoável percebeu quem é que estava a falar verdade. Mas agora, segundo o Expresso, foi mesmo apanhado, por assim dizer, em flagrante. Está na altura de Cavaco Silva retirar a confiança politica a este herói do nosso tempo.

Realidade

No último trimestre de 2008, segundo dados do INE, a economia portuguesa caiu 2%. Ultrapassa as piores previsões da OCDE, mas está em linha com as da Economist Intelligence Unit, que previu uma queda do PIB português para 2009, precisamente de 2%. A estagnação, que não era queda, a resistência superior da economia portuguesa à crise, são mitos que ficaram hoje enterrados pela realidade.

Confirmado

A mini-saia está de regresso. 2009 não podia trazer só más notícias.

Thursday, February 12, 2009

Grave

Os franceses passaram a almoçar sandes. Para quem duvidava da seriedade desta crise, aqui está o indicador que faltava.

Regresso

O racismo está de volta. Regressou com vários nomes: anti-semitismo, proteccionismo, nacionalismo. Vai ser preciso um enorme sentido de estado, para que os lideres ocidentais não se deixem contaminar pelo estado de alma que já premeia as nossas sociedades. A politica não dispensa uma certa dose de demagogia, mas espero que ninguém se entretenha a brincar com este fogo.

Wednesday, February 11, 2009

Expresso

O Expresso já gostou de cinema. Ainda tenho cá em casa o "livro", que fui coleccionando por fascículos todas as semanas, com a História do Cinema. Agora são duas páginas pindéricas, sem o quadro das estrelas, com o filme da vida de uma figura pública (muito interessante). A desconsideração suprema? Na última edição, os filmes tiveram que partilhar o espaço com o Luís Represas.

Casamento

Sou, como é óbvio, a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Também sou a favor da adopção. O problema da proposta do PS é que foi feita, exclusivamente, com base num cálculo político. Sócrates percebeu que as eleições se vão decidir à esquerda e decidiu atirar umas migalhas fracturantes. É tudo plástico sem convicção, só para agradar a gregos e troianos. Aqui fica uma previsão: não vai resultar.

Tuesday, February 10, 2009

Default

Há uma semana um artigo do NY Times incluía Portugal num grupo de países da zona Euro que podiam entrar em default. Na edição desta semana a The Economist volta ao assunto, considerando a hipótese de um dos fabulosos cinco (Grécia, Itália, Irlanda, Espanha e Portugal), entrar em colapso como provável. As regras, como a Economist explica, da moeda única impedem um bail-out da União Europeia, bem como de outros países. Mas como as maiores economias, principalmente a Alemanha, seriam as mais afectadas se ocorrese o pior cenário, é altura da zona Euro pensar num esquema como o dos pacotes de salvamento do FMI (ainda a Economist). As boas notícias, para Portugal? A ocorrer um esquema que impedisse a nossa economia de entrar em ruptura, teríamos que ter monitorização intrusiva por parte da UE, no controle dos nossos orçamentos. Quem sabe, se até um ministro das Finanças escolhido por Bruxelas. Talvez isto fosse ao lugar.

It was a landscape of unexpected benevolence

Para Adultos

Quando a Islândia entrou em bancarrota, o primeiro-ministro disse aos seus habitantes que era altura de se dedicarem à caça e à pesca, porque a Islândia é um país com muitos recursos naturais. O primeiro-ministro Irlandês avisou os seus conterrâneos que o nível de vida na Irlanda vai descer entre 10 a 12%, nos próximos dois ou três anos. Não são boas notícias, mas ter governantes que tratam os seus eleitores como adultos é uma preciosidade, que deve ser estimada.

Monday, February 09, 2009

Israel

Tudo indica que o partido de extrema direita israelita vai ter uma votação significativa nas eleições. Se o resultado se confirmar, é a prova de que os países, como as pessoas, também podem regredir psicologicamente. Israel ainda é uma democracia, mas a desumanização do outro, a negação da realidade, fazem parte do programa politico de um partido que pode vir a fazer parte do Governo. Num país que tem tantos descendentes do Holocausto, não há bem como encontrar uma palavra para descrever este paradoxo.

Saturday, February 07, 2009

Grátis

A imprensa escrita tem que arranjar forma de escapar à armadilha do gratuito. Nunca se leram tantos jornais e se venderam tão poucos como agora. Basta ler os comentários do Público.pt, para perceber que aqueles não são os leitores do jornal em papel. Tudo começou a meio dos anos 90, quando os jornais, que não queriam parecer desactualizados, colocaram edições on-line gratuitas da versão em papel. Agora estão numa encruzilhada. O conteúdo não pode continuar a ser gratuito, mas se começam a cobrar os leitores escapam para outras paragens. É um Catch-22, ou em bom português, uma pescadinha de rabo na boca. A questão não é saber se a edição em papel sobrevive ou não. Esta questão já é irrelevante. Eu leio o NY Times, todos os dias, no telefone. A questão principal é como é que um jornal pode viver dependente só da publicidade. Não é só a viabilidade económica que está em causa. É a independência. Num excelente artigo, que li na Time on-line, Walter Isaacson, enumera as 3 fontes de receita de um jornal: vendas na banca, assinaturas e publicidade. O modelo da net só considera a última. Isaacson cita Henry Luce, um dos co-fundadores da Time, em que considerava a fórmula apoiada só na publicidade "morally abhorent", porque a publicação tem um dever com os seus leitores e não com os anunciantes, e "econmically self-defeating", porque o laço com os leitores vai, inevitavelmente, enfraquecer se não precisarem deles para a obtenção de receitas. Por isso, numa altura em que o modelo do jornal gratuito parece estar a claudicar (felizmente), chegou a altura de ir contra-corrente e começar a cobrar pelos conteúdos. Isaacson fala em 10$ por mês para a edição completa ou poucos cêntimos para artigos ocasionais. O modelo de pagamento teria que ser algo tão simples como o utilizado pelo i-tunes.
Chris Anderson, editor da Wired, escreveu um longo artigo o ano passado, em que defendia o modelo gratuito, para quase todos os ramos de negócio. Mas já mudámos de época. O ano passado ainda estávamos no tempo do dinheiro a brincar. Agora vamos ter que voltar a pagar por aquilo que queremos obter, sejam notícias ou passagens de avião. O "Grátis" acabou. Ainda bem.

Crise

Acabei de ver o American Graffiti. Vê-los ali tão novos, o Richard Dreyfuss, o Ron Howard, o Charles Martin Smith, o Harrison Ford; um homem põe-se a pensar na vida. Devo estar a começar a minha crise de meia idade.

Friday, February 06, 2009

Papa

Bento XVI não pode reabilitar um bispo que nega o Holocausto, mesmo que o senhor Williamson peça desculpa, como o Papa exigiu. Como escreveu hoje Vasco Pulido Valente, vai diminuir irremediavelmente o seu pontificado. A História não vai recordar um Papa intelectual, que tentou que a Igreja Católica fizesse as pazes com a ciência e a reflexão intelectual. Vai recordá-lo como o homem que reabilitou um bispo que negou a maior tragédia do sec. XX.

Thursday, February 05, 2009

Credibilidade

António Costa contou hoje, na quadratura do circulo, que uma amiga lhe tinha dito que ninguém pode ser tão mau, referindo-se a Sócrates e ao caso Freeport,. Ora, como disse Pacheco Pereira, o problema de Sócrates é precisamente o oposto. Não sei se o homem foi subornado, ou se facilitou o suborno (espero bem que não), mas de Sócrates, para quem vir estas coisas da politica de uma forma desapaixonada, esperamos sempre uma história mal contada, confusa, com epilogo incerto.

Wednesday, February 04, 2009

Almoço

Grandes novidades, para os dois leitores deste blog. Agora, ocasionalmente, vou tentar escrever um post à hora de almoço. Peço-vos alguma tolerância para ideias mal estruturadas, erros tipográficos, ausência de acentos ou virgulas. É que, estas reflexões profundas do meio-dia, vão ser escritas no telemóvel.

Mau Tempo

A minha cadela pediu para ligar o aquecedor.

Lunch Post

Todos os estímulos preparados até agora apostam numa recuperação do consumo, no curto prazo. Inclusive os pacotes desenhados pela administração Obama. Em artigo, já citado neste blog, o Ny times perguntava que tipo de economia é que vai ser definida a partir de agora. A aposta parece ser na fé que a nossa tendência para o consumo se vai manter, assim que tudo regresse a uma normalidade aceitável. É um pressuposto errado. O pior desta crise, o que a torna tão avassaladora, é a mudança de comportamento. O paradigma passou a ser a parcimónia. O bom senso. O regresso às coisas simples, ou como escreveu Miguel Gaspar no Público, talvez se assista a um regresso das relações pessoais e da cultura (não é preciso sacar da pistola). Parece uma perspectiva feliz. O pior vai ser o ajuste, que vai destruir o tecido social estabelecido. Só nos resta aguardar e ver.

Saturday, January 31, 2009

Notícias

Estamos a ver a sic notícias. Sócrates parece irremediavelmente entalado. É o destino dos arrivistas. É altura de partir.

Wednesday, January 28, 2009

Economia Soviética?

"Richard Freeman, a Harvard economist, argues that our bubble economy had something in common with the old Soviet economy. The Soviet Union’s growth was artificially raised by massive industrial output that ended up having little use. Ours was artificially raised by mortgage-backed securities, collateralized debt obligations and even the occasional Ponzi scheme." Muito pequeno excerto de The Big Fix, no New York Times.

Tuesday, January 27, 2009

Sunday, January 25, 2009

Noite

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Um dia no parque

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Friday, January 23, 2009

From the Basement

Andrew Bird. Obrigado, Rui Tavares.

Sunday, January 04, 2009

Valsa

Ari Folman disse, em entrevista ao Ípsilon, que não percebia porque é que lhe perguntavam porque é que "Valsa com Bashir" é um filme de animação. Folman tem razão. O massacre de Sabra e Chatila, para o realizador, é um não acontecimento, como aliás todo o seu serviço militar. Apagou-o da memória. Evitou o contacto com quem tinha estado naquele "teatro de guerra". Instinto de sobrevivência. Não seguiu a cartilha da Psicologia que diz que devemos falar de um acontecimento traumático até à exaustão (apesar de já haver teorias em contrário), para o ultrapassar. Se o filme fosse em imagens "reais", com os seus companheiros de estrada que lhe transmitiram os elos com que foi tecendo as suas memórias, esse efeito de "não acontecimento" na memória dele não seria tão vincado. As imagens reais ficam para o fim: o sofrimento dos palestinianos que sobreviveram ao massacre. Faz sentido.

Thursday, January 01, 2009

Rever

Quando o Pedro Mexia escreveu no outro dia, no Público, sobre o Joelho de Claire, do Rohmer, foi como se tivesse a ler sobre um filme que nunca vi. Vi o Le Genou de Claire há uns bons anos, com outros filmes do Rohmer, mas a lembrança do filme propriamente dito, desaparece. Fica só o titulo. Parece que Pauline Kael, só via os filmes uma vez. Não alinhava cá nessa coisa da redescoberta. Para ela devia ser suficiente a memória da primeira e única vez.
Cá em casa, no primeiro dia do ano, vamos dedicar-nos a rever filmes dos quais já só temos memória do ano em que o vimos, e do deslumbramento provocado pela primeira vez. "Eduardo Mãos de Tesoura", é o primeiro.
Já agora, o meu filme do ano de 2008, foi o "Meu querido mês de Agosto" do Miguel Gomes, e das poucas promessas que faço quando entramos num novo ano, há duas que se repetem: "Ler, ir ao cinema". Para este, mais duas, muito simples: Deitar-me mais cedo, e afastar-me mais da espuma dos dias. Esta última vai ser cumprida com o cancelamento das assinaturas de duas news magazines. Vou tentar que a crise me passe ao lado.
Bom ano para todos.

Wednesday, November 05, 2008

God Bless America






Tuesday, November 04, 2008

Barack Obama for President.

Sunday, November 02, 2008

USA

Vasco Pulido Valente espera "fervorosamente" que Obama ganhe. A Economist e o Financial Times apoiam-no. Muitos republicanos respeitáveis, já lhes chamam os Obamacons, também. Não há aqui nenhum vestígio de Obamomania nem expectativas elevadas, se Obama for realmente eleito. Só um sentido de decência. Anne Applebaum, no Washington Post -exclusivo hoje do Público-, elogia o velho McCain, mas não percebeu a escolha de Palin, por isso vai votar Obama. Ao contrário do que alguma direita anda por ai a escrever, ninguém está à espera de um redentor, que vá salvar o mundo. É uma coisa mais simples: o apoio a McCain, e da sua campanha vergonhosa, é o apoio à direita religiosa e conservadora, que detesta qualquer tipo de pessoa que esboce uma ideia. O GOP actual é um partido populista e radical. Extrema-direita é a palavra na Europa. Um pequeno exemplo: "McCain not Hussein", é o último grito de guerra da Palin nos comícios. Esclarecedor.

Saturday, November 01, 2008



Sunday, October 26, 2008

Hipérbole?

Se McCain ganhar, é o inicio do declínio do Império Americano.

Mais uma volta no Carrossel

Em "Toda a gente diz que te amo" (Woody Allen, 1996), um dos filhos do casal, que é um dos centros da narrativa, é um impecável jovem conservador, que irrita a família liberal. No fim do filme, depois de um mau estar que o leva ao hospital, é-lhe diagnosticado falta de oxigenação no cérebro, encontrando-se, de imediato, a explicação para a inclinação conservadora do filho, nos últimos tempos. Lembro-me muitas vezes desta pequena metáfora, quando leio o João Pereira Coutinho, no Expresso. Ontem, mais um artigo em que atribui o papel da crise financeira ao papel do Estado americano. A inspiração, desta vez? Um artigo, de Dennis Sewell, na Spectator. Encontrar um artigo isento na Spectator sobre a crise financeira, é a mesma coisa que encomendar um artigo sobre o "sucesso" da guerra no Iraque, ao José Manuel Fernandes. Mas é muito fácil encontrar um artigo sobre a cupidez capitalista (mais um disclaimer: gosto mesmo do Capitalismo). Sugiro este , de Gretchen Morgenson, no New York Times. É pedagógico.
Mas a coisa não fica por aqui. O Coutinho ficou muito chocado porque, um amigo, foi perseguido, ou coisa parecida (não tenho aqui a revista), porque levou uma t-shirt de apoio ao McCain para o emprego. Hum, o rapaz até pode ter razão, mas a seguir vem logo a pedrada para a esquerda, que chafurda não sei no quê. Muito bem. E a direita de João Pereira Coutinho, apoiante de McCain, que escolheu Sarah Palin para vice-presidente, chafurda onde? Não vale a pena estar aqui a desfiar o rol da campanha lamacenta de McCain. Basta-me aquela frase, repetida muitas vezes nos comícios: "Obama não é um americano como nós". Onde é que se situa esta Direita? Que juízo moral é que pode observar sobre os apoiantes sinceros de Obama? E Bush? O que é que a direita tem a dizer de Dick Cheney? E de Guantanamo e Abu Ghraib? E do Waterboarding? Aposto que o Coutinho, e seus amigos, não querem confusões intelectuais com esta Direita. Mas então, porquê as generalizações idiotas? João Pereira Coutinho escreveu uma vez, ou disse -já não me lembro- que uma das razões porque não gostava da esquerda era porque os rapazes e as raparigas de esquerda não se sabiam divertir. Que frase é esta? Que poder de observação analítico, que perspicácia acima da média, leva um jovem de direita, a proferir uma observação tão inteligente?
Já trilhei aquele caminho, era novo, lia "O Independente", e sim, assinava "The Spectator". Na altura também proferia sentenças terríveis sobre "a esquerda". Depois o meu "coagulo", que impedia a oxigenação suficiente do cérebro -tenho bem presente essa data-, desapareceu e passei a ver o mundo a cores. A estes rapazes de direita, aconselho uma pequena consulta com o médico de família. Um TAC deve ser suficiente.

Friday, October 24, 2008

Exemplar

O endorsement do New York Times

Editorial

Barack Obama for President


Hyperbole is the currency of presidential campaigns, but this year the nation’s future truly hangs in the balance.

The United States is battered and drifting after eight years of President Bush’s failed leadership. He is saddling his successor with two wars, a scarred global image and a government systematically stripped of its ability to protect and help its citizens — whether they are fleeing a hurricane’s floodwaters, searching for affordable health care or struggling to hold on to their homes, jobs, savings and pensions in the midst of a financial crisis that was foretold and preventable.

As tough as the times are, the selection of a new president is easy. After nearly two years of a grueling and ugly campaign, Senator Barack Obama of Illinois has proved that he is the right choice to be the 44th president of the United States.

Mr. Obama has met challenge after challenge, growing as a leader and putting real flesh on his early promises of hope and change. He has shown a cool head and sound judgment. We believe he has the will and the ability to forge the broad political consensus that is essential to finding solutions to this nation’s problems.

In the same time, Senator John McCain of Arizona has retreated farther and farther to the fringe of American politics, running a campaign on partisan division, class warfare and even hints of racism. His policies and worldview are mired in the past. His choice of a running mate so evidently unfit for the office was a final act of opportunism and bad judgment that eclipsed the accomplishments of 26 years in Congress.

Given the particularly ugly nature of Mr. McCain’s campaign, the urge to choose on the basis of raw emotion is strong. But there is a greater value in looking closely at the facts of life in America today and at the prescriptions the candidates offer. The differences are profound.

Mr. McCain offers more of the Republican every-man-for-himself ideology, now lying in shards on Wall Street and in Americans’ bank accounts. Mr. Obama has another vision of government’s role and responsibilities.

In his convention speech in Denver, Mr. Obama said, “Government cannot solve all our problems, but what it should do is that which we cannot do for ourselves: protect us from harm and provide every child a decent education; keep our water clean and our toys safe; invest in new schools and new roads and new science and technology.”

Since the financial crisis, he has correctly identified the abject failure of government regulation that has brought the markets to the brink of collapse.

The Economy

The American financial system is the victim of decades of Republican deregulatory and anti-tax policies. Those ideas have been proved wrong at an unfathomable price, but Mr. McCain — a self-proclaimed “foot soldier in the Reagan revolution” — is still a believer.

Mr. Obama sees that far-reaching reforms will be needed to protect Americans and American business.

Mr. McCain talks about reform a lot, but his vision is pinched. His answer to any economic question is to eliminate pork-barrel spending — about $18 billion in a $3 trillion budget — cut taxes and wait for unfettered markets to solve the problem.

Mr. Obama is clear that the nation’s tax structure must be changed to make it fairer. That means the well-off Americans who have benefited disproportionately from Mr. Bush’s tax cuts will have to pay some more. Working Americans, who have seen their standard of living fall and their children’s options narrow, will benefit. Mr. Obama wants to raise the minimum wage and tie it to inflation, restore a climate in which workers are able to organize unions if they wish and expand educational opportunities.

Mr. McCain, who once opposed President Bush’s tax cuts for the wealthy as fiscally irresponsible, now wants to make them permanent. And while he talks about keeping taxes low for everyone, his proposed cuts would overwhelmingly benefit the top 1 percent of Americans while digging the country into a deeper fiscal hole.

National Security

The American military — its people and equipment — is dangerously overstretched. Mr. Bush has neglected the necessary war in Afghanistan, which now threatens to spiral into defeat. The unnecessary and staggeringly costly war in Iraq must be ended as quickly and responsibly as possible.

While Iraq’s leaders insist on a swift drawdown of American troops and a deadline for the end of the occupation, Mr. McCain is still talking about some ill-defined “victory.” As a result, he has offered no real plan for extracting American troops and limiting any further damage to Iraq and its neighbors.

Mr. Obama was an early and thoughtful opponent of the war in Iraq, and he has presented a military and diplomatic plan for withdrawing American forces. Mr. Obama also has correctly warned that until the Pentagon starts pulling troops out of Iraq, there will not be enough troops to defeat the Taliban and Al Qaeda in Afghanistan.

Mr. McCain, like Mr. Bush, has only belatedly focused on Afghanistan’s dangerous unraveling and the threat that neighboring Pakistan may quickly follow.

Mr. Obama would have a learning curve on foreign affairs, but he has already showed sounder judgment than his opponent on these critical issues. His choice of Senator Joseph Biden — who has deep foreign-policy expertise — as his running mate is another sign of that sound judgment. Mr. McCain’s long interest in foreign policy and the many dangers this country now faces make his choice of Gov. Sarah Palin of Alaska more irresponsible.

Both presidential candidates talk about strengthening alliances in Europe and Asia, including NATO, and strongly support Israel. Both candidates talk about repairing America’s image in the world. But it seems clear to us that Mr. Obama is far more likely to do that — and not just because the first black president would present a new American face to the world.

Mr. Obama wants to reform the United Nations, while Mr. McCain wants to create a new entity, the League of Democracies — a move that would incite even fiercer anti-American furies around the world.

Unfortunately, Mr. McCain, like Mr. Bush, sees the world as divided into friends (like Georgia) and adversaries (like Russia). He proposed kicking Russia out of the Group of 8 industrialized nations even before the invasion of Georgia. We have no sympathy for Moscow’s bullying, but we also have no desire to replay the cold war. The United States must find a way to constrain the Russians’ worst impulses, while preserving the ability to work with them on arms control and other vital initiatives.

Both candidates talk tough on terrorism, and neither has ruled out military action to end Iran’s nuclear weapons program. But Mr. Obama has called for a serious effort to try to wean Tehran from its nuclear ambitions with more credible diplomatic overtures and tougher sanctions. Mr. McCain’s willingness to joke about bombing Iran was frightening.

The Constitution and the Rule of Law

Under Mr. Bush and Vice President Dick Cheney, the Constitution, the Bill of Rights, the justice system and the separation of powers have come under relentless attack. Mr. Bush chose to exploit the tragedy of Sept. 11, 2001, the moment in which he looked like the president of a unified nation, to try to place himself above the law.

Mr. Bush has arrogated the power to imprison men without charges and browbeat Congress into granting an unfettered authority to spy on Americans. He has created untold numbers of “black” programs, including secret prisons and outsourced torture. The president has issued hundreds, if not thousands, of secret orders. We fear it will take years of forensic research to discover how many basic rights have been violated.

Both candidates have renounced torture and are committed to closing the prison camp in Guantánamo Bay, Cuba.

But Mr. Obama has gone beyond that, promising to identify and correct Mr. Bush’s attacks on the democratic system. Mr. McCain has been silent on the subject.
Mr. McCain improved protections for detainees. But then he helped the White House push through the appalling Military Commissions Act of 2006, which denied detainees the right to a hearing in a real court and put Washington in conflict with the Geneva Conventions, greatly increasing the risk to American troops.

The next president will have the chance to appoint one or more justices to a Supreme Court that is on the brink of being dominated by a radical right wing. Mr. Obama may appoint less liberal judges than some of his followers might like, but Mr. McCain is certain to pick rigid ideologues. He has said he would never appoint a judge who believes in women’s reproductive rights.

The Candidates

It will be an enormous challenge just to get the nation back to where it was before Mr. Bush, to begin to mend its image in the world and to restore its self-confidence and its self-respect. Doing all of that, and leading America forward, will require strength of will, character and intellect, sober judgment and a cool, steady hand.

Mr. Obama has those qualities in abundance. Watching him being tested in the campaign has long since erased the reservations that led us to endorse Senator Hillary Rodham Clinton in the Democratic primaries. He has drawn in legions of new voters with powerful messages of hope and possibility and calls for shared sacrifice and social responsibility.

Mr. McCain, whom we chose as the best Republican nominee in the primaries, has spent the last coins of his reputation for principle and sound judgment to placate the limitless demands and narrow vision of the far-right wing. His righteous fury at being driven out of the 2000 primaries on a racist tide aimed at his adopted daughter has been replaced by a zealous embrace of those same win-at-all-costs tactics and tacticians.

He surrendered his standing as an independent thinker in his rush to embrace Mr. Bush’s misbegotten tax policies and to abandon his leadership position on climate change and immigration reform.

Mr. McCain could have seized the high ground on energy and the environment. Earlier in his career, he offered the first plausible bill to control America’s emissions of greenhouse gases. Now his positions are a caricature of that record: think Ms. Palin leading chants of “drill, baby, drill.”

Mr. Obama has endorsed some offshore drilling, but as part of a comprehensive strategy including big investments in new, clean technologies.

Mr. Obama has withstood some of the toughest campaign attacks ever mounted against a candidate. He’s been called un-American and accused of hiding a secret Islamic faith. The Republicans have linked him to domestic terrorists and questioned his wife’s love of her country. Ms. Palin has also questioned millions of Americans’ patriotism, calling Republican-leaning states “pro-America.”

This politics of fear, division and character assassination helped Mr. Bush drive Mr. McCain from the 2000 Republican primaries and defeat Senator John Kerry in 2004. It has been the dominant theme of his failed presidency.

The nation’s problems are simply too grave to be reduced to slashing “robo-calls” and negative ads. This country needs sensible leadership, compassionate leadership, honest leadership and strong leadership. Barack Obama has shown that he has all of those qualities.

Último

Por uma razão inexplicável, não consegui gravar o último debate Obama-McCain, e só o vi agora, no site do NY Times. Não vale a pena discutir ideologia ou as propostas. Quer dizer, vale a pena, mas há um aspecto essencial, mais importante, que deve determinar a escolha do próximo presidente. E é este: McCain não está apto fisica e mentalmente para ser o próximo presidente dos Estados Unidos da América.

Wednesday, October 15, 2008

Nacionalizações




O Cais das Colunas é (quase) nosso outra vez.