Wednesday, February 28, 2007
Tuesday, February 27, 2007
Monday, February 26, 2007
O Inferno são os Outros
Ao inicio, deparamos com a construção desordenada, os restos de automóveis, panelas, mesas e cadeiras, tão característicos destes bairros. Falamos com as pessoas. Primeiros cumprimentos e sorrisos, "posso-lhe tirar uma fotografia", a visita ao pequeno comércio, os relatos da vida, "em Cabo Verde...". Os miúdos, quase todos de uma beleza cinematográfica. Mais fotografias, a progressão lenta e tranquila. O nosso guia, habitante do bairro, conta-nos a história, "depois do 25 de Abril...", informa-nos do nº de habitantes (9.000), explica porque é que as pessoas tem tanta relutância em abandonar as casas, "fomos nós que as construímos", fala da vida própria do bairro, que seria difícil reproduzir num bairro social, das dificuldades de legalização. A Catarina, que trabalha na Cova da Moura, vai-nos falando dos rufias. Este esteve preso 6 anos, este 10, aquele incendiou um carro da policia. Olhamos em volta; ninguém com ar ameaçador. Não façam confusão, nunca seria capaz de reproduzir as palavras do Lula, que conseguiu justificar um crime hediondo. Também não me apanham num discurso contra a Policia -apesar dos exageros da praxe das forças de segurança, que devem ser punidos-. Mas ali, ali no meio dos habitantes, que conversam animadamente uns com os outros -a vida comunitária é muito forte-, os que levam a vida com pequenos negócios, os que mandam os irmãos estudar, "já fizeste os trabalhos de casa?", os que nos recebem com um sorriso, ali, naquele sitio, vivem pessoas. Que são muito mais que o estereotipo do Jornal da "TVI", ou do "Correio da Manhã". Para eles o Inferno também são os outros; os que nem sequer são capazes de lhes dizer "Bom Dia".
Sunday, February 25, 2007
Thursday, February 22, 2007
Sunday, February 18, 2007
Saturday, February 17, 2007
Friday, February 16, 2007
Thursday, February 15, 2007
Wednesday, February 14, 2007
Público (4)
Daqui a uma semana o jornal vai estar a vender o mesmo que vendia antes de tanta alteração. Cor por cor, a malta prefere o "Destak", que é grátis. E nós, fidelíssimos leitores, vamos ter que nos habituar ao vermelho.
Tuesday, February 13, 2007
Público (3)
Até agora a remodelação gráfica do "Público" não tem sido muito bem recebida junto de amigos, que o compram habitualmente. Todos sentem a falta do logotipo anterior. Todos se queixam do excesso de cor. Todos criticam a cor predominante. Todos criticam, e isto bem que podia ser alterado, as indicações de noticias em secções a que não pertencem -muito irritante esta-. Ninguém está a pensar em deixar de o comprar.
Monday, February 12, 2007
Sunday, February 11, 2007
Afinal não foi a ultima
Um médico afirmou, agora na SIC, que a maioria dos portugueses optou por não se pronunciar, e que a lei deve ser mantida. Mais um exemplo de falta de educação, que só vem confirmar aquilo que escrevi no post anterior.
Só mais uma coisa
Lembro-me bem do referendo de 1998. A reacção do SIM, naquela altura, foi muito mais civilizada do que a reacção do NÃO, agora.
NÃO
É politicamente correcto afirmar que houve excessos dos 2 lados da campanha. É mentira. A campanha do não foi uma desgraça, própria da idade das trevas. As pessoas que nela participaram deviam cobrir a cara de vergonha.
Aborto
Uma criatura na SIC, uma mulher medonha, citou o Louçã para dizer que abstenção e votar não, eram a mesma coisa. Peço-lhe desculpa, minha-senhora-que-não-conheço-de-lado-nenhum, mas era o que faltava a democracia portuguesa estar vinculada aos disparates do Louçã. Isso é que era bom.
Friday, February 09, 2007
Thursday, February 08, 2007
Felicidade
19h. Chuva. O autocarro com o ar húmido. Gotas a cair do tecto. Todos com ar cerrado, os casacos, os chapéus de chuva a pingar, os vidros embaciados. Devagar, desembrulho os fones, ligo-os ao telefone e sintonizo a Radar. Primeiro noticias, nada de relevante. Depois, de seguida, Antony and the Johnsons, El Perro del Mar e Velvet Underground. Foi a banda sonora perfeita para aquele momento. Repitam comigo: é possível ser feliz num autocarro da Carris.
Público (2)
O grafismo actual está ultrapassado, e impunha-se uma mudança gráfica. Também gosto, apesar de sabermos todos ainda muito pouco, da ideia do 2º caderno -o P2-, que vai imitar, segundo consta, o G2 do "Guardian". Mas tenho algum receio que o Internacional perca a importância que tem actualmente no jornal. Porque se os estudos que têm sido feitos, na sequência da crise que a imprensa escrita atravessa, indicam o caminho de uma maior participação dos leitores -ia escrever interacção, mas não gosto da palavra-, também nos dizem que as pessoas estão pouco interessadas em saber o que se passa fora do seu quintal. Espero que o novo "Público" ignore esta tendência.
Público
Como já escrevi no post anterior, vêm ai novidades gráficas e editoriais, no meu jornal preferido. Novos soldados, novos repórteres and so on, diz a publicidade. E que manchete é que escolhem para ilustrar os novos tempos do jornal? "Cavaco acompanhou desde o princípio propostas de Cravinho contra a corrupção". É preciso ter falta de tacto.
Wednesday, February 07, 2007
Logotipo
Deixei de comprar "O Independente", pouco tempo depois de terem acabado com o triângulo azul invertido. Nunca gostei do logotipo do "Expresso" com o boneco do António, que achava muito, muito foleiro -parecia um símbolo da banda filarmónica da terra-, sendo que o novo, a imitar o do "Guardian" é anódino, sem graça. Hoje quando vi o novo do "Público", não queria acreditar. O que é aquilo? Um P com a palavra Público lá dentro? Muita giro, que original. O "Público", que cada vez que precisa de justificar uma campanha publicitária, ou outra coisa qualquer, vai logo a correr chamar o "New York Times", devia ter percebido que no logotipo, principalmente quando se tem um como o "Público" ainda tem, não se mexe.
Tuesday, February 06, 2007
Monday, February 05, 2007
Thursday, February 01, 2007
EPC
O Eduardo Prado Coelho escreveu, há pouco tempo numa das crónicas do Público, um texto sobre cosmética masculina. Ontem, se não estou em erro, um leitor escreveu indignado por o conhecido intelectual ter escrito sobre um assunto que, na opinião do dito leitor, só diz respeito às mulheres e aos efeminados -sic-. Eu só tenho a dizer que gosto muito de pessoas que cedem à futilidade.
Nan Goldin

A Nan Goldin começou a fotografar a família e os
amigos ainda na adolescência. Esta fotografia pertence à série, que se tornou num ícone dos anos 80, "Balada da Dependência Sexual". Voltando a Roland Barthes, o punctum desta fotografia está nos olhos da mulher. Ela olha para o seu amante, não com os olhos da ternura, da paixão ou do amor, mas com os olhos do medo. Como se, naquele instante, ela tivesse a percepção da despedida.